O Disfarce

Cansado da sua beleza Angélica, o Anjo vivia ensaiando caretas diante do espelho. Até que conseguiu a obra-prima do horror. Veio, assim, dar uma volta pela terra. E Lili, a primeira meninazinha que o avistou, põe-se a gritar da porta para dentro da casa: "Mamãe! Mamãe! Vem ver como o Frankstain está bonito hoje!". Mário Quintana

8 de jul. de 2013

Oportunidades

As oportunidades nos são apresentadas na vida das mais variadas maneiras, assim como das mais variadas maneiras conseguimos perdê-las, desperdiçá-las ou simplesmente ignorá-las.
Um grande exemplo disso é o amor. Não o “amoreco”, esse vivido diariamente nos dias de hoje pela maioria dos mortais, tão fácil de sentir quanto de se deixar para lá, mas o “amor”, àquele inerente as almas gêmeas, aquele da luz verde, sabe?
Com que facilidade nós o deixamos ir ainda que juremos sofrer ao tomar essa decisão, culpando as pobres feridas adquiridas anteriormente e ainda abertas que custam a cicatrizar. Mas, e se acaso, esse amor, esse mesmo do qual se despede com olhar languido e marejado, for justamente o remédio enviado pela providência divina para curar tais feridas?
Não, claro que não! Cegos que podemos estar em virtude de convenções morais estabelecidas muitas vezes por nós mesmos, nosso “coração”, ou seja lá a que vamos atribuir isso, ignoramos que talvez o próprio Deus, compadecido diante de o nosso sofrer, possa nos enviar tal bálsamo.
A simples possibilidade de uma grande felicidade causa tanto medo quanto um possível sofrimento, mas é claro que é muito melhor, mais cômodo ficarmos atrelados ao sofrimento, pois já o conhecemos e não teremos surpresas, já aprendemos a lidar com ele a aceitá-lo. Muito melhor isso do que nos aventurar por outros mares ainda que nos pareça um mar de águas calmas e límpidas.

Alguns de nós são engraçados, podemos passar por longos períodos de sofrimento, suportamos coisas que antes não nos julgamos capazes de suportar, reclamamos e mal dizemos nossa sorte, porém, quando nos surge a oportunidade, que pode ser a única de uma vida inteira, fechamos a porta e observamos pela janela, impassíveis, enquanto ela se afasta...