As
oportunidades nos são apresentadas na vida das mais variadas maneiras, assim
como das mais variadas maneiras conseguimos perdê-las, desperdiçá-las ou
simplesmente ignorá-las.
Um grande
exemplo disso é o amor. Não o “amoreco”, esse vivido diariamente nos dias de
hoje pela maioria dos mortais, tão fácil de sentir quanto de se deixar para lá,
mas o “amor”, àquele inerente as almas gêmeas, aquele da luz verde, sabe?
Com que
facilidade nós o deixamos ir ainda que juremos sofrer ao tomar essa decisão,
culpando as pobres feridas adquiridas anteriormente e ainda abertas que custam
a cicatrizar. Mas, e se acaso, esse amor, esse mesmo do qual se despede com
olhar languido e marejado, for justamente o remédio enviado pela providência
divina para curar tais feridas?
Não, claro que
não! Cegos que podemos estar em virtude de convenções morais estabelecidas
muitas vezes por nós mesmos, nosso “coração”, ou seja lá a que vamos atribuir
isso, ignoramos que talvez o próprio Deus, compadecido diante de o nosso
sofrer, possa nos enviar tal bálsamo.
A simples
possibilidade de uma grande felicidade causa tanto medo quanto um possível
sofrimento, mas é claro que é muito melhor, mais cômodo ficarmos atrelados ao
sofrimento, pois já o conhecemos e não teremos surpresas, já aprendemos a lidar
com ele a aceitá-lo. Muito melhor isso do que nos aventurar por outros mares
ainda que nos pareça um mar de águas calmas e límpidas.
Alguns de nós
são engraçados, podemos passar por longos períodos de sofrimento, suportamos
coisas que antes não nos julgamos capazes de suportar, reclamamos e mal dizemos
nossa sorte, porém, quando nos surge a oportunidade, que pode ser a única de uma vida inteira, fechamos a porta e observamos pela janela, impassíveis,
enquanto ela se afasta...